2º LUGAR DO GÊNERO MEMÓRIAS LITERÁRIAS
O Poço de seu João
É... sentado na varanda com
José Lucas, mais conhecido como Zé Luca, numa tarde de inverno, ele
começa a me contar as suas aventuras de criança.
“Quando eu era um moleque,
me ajuntava com os amigos do meu bairro pra brincar. Tinha um poço
no quintal de seu João, era pra lavar roupa e dar água pra cavalo
beber. À tarde quando seu João ia trabalhar na granja, eu e meus
amigos pulávamos o muro do quintal, o muro era baixo, mas ele tinha
um cachorro muito bravo e uma vizinha muito chata e fofoqueira.”
- É... diz Zé Luca, com tom
irônico – o mundo evoluiu, mas as fofoqueiras continuam.
“Pulamos o muro quando
conseguimos entrar, apareceu ele... o cachorro tão temido por nós.
Quando vimos, nós paramos, ficou olhando com um olhar assustador,
quando ele correu pra nos atacar, pra nossa sorte ele tava preso na
coleira.”
“Depois nós fomos brincar
no poço e quando tava escurecendo que a gente ia pra casa seu João
chega, eu ainda tava dentro do poço, meu amigos correram fecharam a
tampa do poço e fugiram, como não estava cheio eu estava
conseguindo respirar e meus amigos encima da árvore só esperando
seu João chegar, fez carinho no cachorro pega um balde e abre a
tampa mergulho, ele pega água pro cavalo, saí do poço ofegante, o
cavalo se assusta e relincha, a vizinha fofoqueira chama seu João.”
“A gente volta pra casa
correndo e de longe dá pra ouvir seu João gritando:
- Seus moleques! Ai, se eu
pego!”
Ana Júlia dos Santos Ramos 7ª série C do Ensino Fundamental
3º LUGAR DO GÊNERO MEMÓRIAS LITERÁRIAS
Meu bairro querido: bons tempos aqueles
Hoje essas palavras expressam
o lugar onde vivo... Rua da Piedade, Cajueiro Seco Jaboatão dos
Guararapes, eu pedi para minha avó. Afinal, ela é a mais sábia da
minha família viveu lá naqueles tempos de barões como diz ela
“tempos maravilhosos” enquanto ele contava as imagens iam sendo
criadas, montadas na minha cabeça como um filme... depois de algumas
perguntas à ela apenas ouvi a história.
“Onde nós moramos hoje não
é igual a antes, não é a toa que é chamado de Terreno dos Padres,
eu era uma menina, eu acho... não me lembro bem... minha mãe,
mulher de respeito, me ensinou coisas boas, coisas que eu posso usar
hoje... eu tinha irmãos... brincávamos muito nos terrenos, não era
calçado, eu e minha irmã brincávamos de boneca de pano e meu irmão
de cavalinho de pau, nossa mãe nos chamava para comer, normalmente
era sopa de legumes tinha um cheiro realmente bom. Tinha uma porção
de árvores pequeninas... Perto de nossa casa tinha um pé de
piripiri. Tempos bons aqueles...”
Depois dela ter me contado
isso, apenas pensei um pouco. Gostaria de estar naquele tempo...
Gosto de árvores e não temos muitas hoje... ou melhor, nem temos
árvores a não ser na praça. Realmente, bons tempos aqueles.
Texto escrito com base na no
depoimento de Sônia Queiroz, 60 anos.
Suellyn do Nascimento Gomes 7ª série C do Ensino Fundamental
4º LUGAR DO GÊNERO MEMÓRIAS LITERÁRIAS
Minha querida rua
Antes de ter essas casas
todinhas, só havia mato, barro e rio. Era bom porque eu ficava
brincando com os meus irmãos.
E os tempos foram se
passando, ela foi ficando movimentada, ela era a principal porque foi
a primeira rua do bairro, eu e os meus vizinhos brincávamos o dia
inteirona rua que era e é bom até hoje. Depois chegou os tempos dos
ônibus, eles passavam lá na frente de casa e hoje não passam, só
passam na outra rua agora.
Eu brincava de toadas as
brincadeira que existia, mas só uma que eu gostava de brincar era
que eu inventei o “tubarão no rio”, o rio era muito limpo, mas
chegaram outras pessoas e com elas a poluição. O rio que hoje é o
canal era muito bom.
Eu fui crescendo e a rua
também e hoje ela é muito povoada e o bom é que eu sempre gostei e
vou gostar dessa rua. Porque nela já chorei, já me alegrei, já
ganhei, já perdi; mas eu sempre tentei evoluir. Eu e a rua é o amor
inseparável.
Ruan Felipe C. de Araújo 7ª série C
5º LUGAR DO GÊNERO MEMÓRIAS LITERÁRIAS
A vida em Paulista
Em uma festa especial em
Paulista lá estava ela, Maria! Morava com sua avó, a ajudava a
vender frutas no mercado e que às vezes dormia num carro de mão.
Estava com uma saia branca e
uma blusa azul comemorando o ano novo... Ela me disse que ouvia funk,
mas que esses funks
não eram iguais aos de hoje em dia, eles eram legais, muito animados
e engraçados. Ela dançava muito, e que ainda em pleno ano novo foi
pedida em namoro. Dia 1 de janeiro de 1995, numa tarde de sábado
tinha um bêbado que bebeu água de fossa. É isso mesmo! Eca! Como
alguém tem coragem de fazer isso?! Maria continuou me contando como
foi aquele dia... Chegou tarde em casa, brigou com sua avó. Disse
que foi porque pegava frutas na casa da vizinha escondido e que
levava muita reclamação por isso?! Daí perguntei a ela:
- Oh, Maria por que não
morava com sua mãe? Ela não me respondeu. Disse que tomava como
exemplo suas primas que cuidavam sempre umas das outras, mesmo sem
condições morava numa casa de tábuas, mas num instante mudou de
assunto...
Disse que em 1998 teve seu
primeiro filho o Allef nascido em 12 de junho, no dia dos namorados
com 7 meses porém sem nenhum problema de saúde. Ela precisou ir
embora porque de ir, me contou que hoje é diferente, ela aceitou a
Jesus, teve uma filha e que é muito feliz por isso... Me contou que
mesmo morando em Piedade às vezes vai em Paulista. Enfrenta 2 ônibus
e quase duas horas valendo a pena.


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